O que é Anomia?

Por vezes penso que nossa sociedade sofre de alguma patologia no sentido de doença, ausência de normas, valores ou até mesmo do distanciamento de qualidade de vida, na sociedade –> desequilíbrio, estresse, desconforto, ansiedade, raiva, violência na atitudes.

Será  um mal da modernidade, advinda do excesso e abuso do uso da tecnologia?

O estado de anomia

Por anomia, entende-se, no aspecto sociológico, uma situação em que há divergência ou conflito entre normas sociais, tornando-se difícil para o indivíduo respeitá-las igualmente.

Sob o aspecto do estado de anomia, destaca-se que o mesmo se aplica à distinção entre o normal e o patológico. Partindo de uma analogia entre sociedade e ser vivo, Durkheim define a normalidade dos fatos sociais pela sua generalidade na “espécie” social a que pertencem.

Sob o aspecto de anomia, Meireles (2001) nos adverte que:

 “A anomia é um vocábulo com dupla significação: violação da lei, ou ilegalidade, e ausência de lei preestabelecida. Na Sociologia, é um fenômeno que indica carência de normas, de leis reguladoras, e que se estabelece durante determinadas circunstâncias históricas dentro de um dado grupo social. A anomia pode ser entendida como o resultado da ruptura entre os objetivos individuais culturalmente estabelecidos e os meios socialmente instituídos para alcançar essas metas, produzindo, como conseqüência, a decadência e a desorganização da estrutura institucional dentro de um sistema social (p.70).”

Dessa forma, tem-se que o vocábulo grego que dá origem ao termo anomia significa “sem normas”, o que permite entendê-lo como denominador de uma situação de desregramento social, em que a ação dos indivíduos não mais é pautada por normas claras e compartilhadas.

Durkheim (1999) foi o primeiro a tentar precisar esse conceito, que apresentou como a ruptura de laços de solidariedade entre os indivíduos, podendo ser causado por inúmeros fatores.

Os fatos sociais, de acordo com Durkheim, podem ser classificados por seus estados de normalidade ou patologia (ausência de regras ou de normas) como qualquer outro organismo vivo. Portanto, é normal o fato social que, primeiramente, apresenta-se cristalizado, generalizado aceito pelo consenso social, apresentando alguma função importante para a evolução ou adaptação do organismo social. Além disso, a normalidade do “fato social”, entendido como “fenômeno que passa no interior da sociedade”, pode expressar-se na reação da sociedade, confirmando a moral vigente.

Por tudo isso, patológico é o fato social que coloca em risco o funcionamento da sociedade diante de um comportamento anômalo do corpo social em discordância com suas regras de conduta.

Para o autor, a divisão do trabalho é o fator preponderante de integração social na sociedade moderna. Na falta de regras específicas, as condições de cooperação deveriam ser rediscutidas e recorrentes, e a solidariedade seria mais virtual que real. Porém, é precisamente essa ausência de regras, ou seja, essa situação de anomia, o que se observa em importantes aspectos da vida econômica na sociedade moderna.

Dessa forma, Durkheim entende por anomia como um estado da sociedade em que desaparecem os padrões normativos de conduta e de crença e o indivíduo, em conflito íntimo, encontra dificuldade para conformar-se às contraditórias exigências das normas sociais.

Em uma interpretação psicológica, a anomia é um “estado de espírito” no qual o senso de coesão social – mola principal da moral – está quebrado ou fatalmente enfraquecido.

Ao longo dessa diretriz interpretativa, tem-se que, quando um fato põe em risco a harmonia, o acordo, o consenso, a adaptação e evolução da sociedade, estão, por assim dizer, diante de um acontecimento de caráter mórbido e de uma sociedade “doente”. Portanto, normal é aquele fato que não extrapola os limites dos acontecimentos gerais de uma determinada sociedade e que reflete os valores e as condutas aceitas pela maior parte da população. E, por seu turno, patológico é aquele que se encontra fora dos limites permitidos pela ordem social e pela moral vigente.

Durkheim (2000, p. 488): “A educação, pois, só pode se reformar quando a própria sociedade se reforma. Para isso, é preciso atingir em suas causas o mal de que ela sofre” .

Para saber mais: LEAL, Alane de Lucena. Educação e Cidadania. São Paulo: Paulinas, 2005.  Relato de Experiência. Área Temática: Cidadania & Movimentos Sociais. Educação e Cidadania: relato de uma experiência com alunos de uma classe de aceleração em uma escola de ensino fundamental em brasília-df. ETD – Educação Temática Digital, v.8, n.2, p. 192-213, jun. 2007 – ISSN: 1676-2592 . Unicamp.

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